Uso de efeitos sonoros no cinema

O uso de efeitos sonoros no cinema existe desde que o próprio cinema existe. Como já dissemos no nosso artigo sobre trilha sonora, o cinema nunca foi realmente sem som. Desde os tempos do chamado “cinema mudo”, orquestras tocavam enquanto as imagens eram transmitidas para a platéia.

Conforme o cinema foi avançando, os efeitos sonoros foram sendo necessários para fazer poderosas adições às cenas que apenas as gravações não davam conta. A isso podemos citar sons de explosões, passos, ou coisas mais simples, como o som de chaves balançando.

Os efeitos sonoros no cinema são sons criados ou editados artificialmente, sendo usados para auxiliar a contar a história.

Com exceção de filmes em que o silêncio seja genialmente usado como a própria forma de contar a história, como no caso do filme O Artista, hoje em dia seria quase agoniante assistir a um filme em total silêncio.

Grandes nomes de direção e edição de som vem andando em conjunto e criando verdadeiras obras de arte de efeitos sonoros no cinema. Efeitos esses que conseguem fazer do filme o que ele é.

Star Wars

A saga Star Wars é um grande exemplo de filmes que reúnem um grande diretor, George Lucas, e um grande editor de som, Ben Burtt.

Essa saga deu à luz a sons muito característicos, cujos quais podemos reconhecer sem nenhuma referência visual. Como exemplo podemos citar a respiração de Darth Vader, a “voz” do robô R2D2, a linguagem dos Wookies, como o famoso Chewbacca, e, é claro, os sabres de luz.

Para esses últimos, Ben Burtt utilizou sons de projetores de luz e os uniu a chiados de uma televisão de tubo. Quando esses dois sons eram gravados através de um microfone, o resultado era o clássico som das armas dos Jedi e dos Sith.

O som dos sabres de luz é tão épico e virou tamanha referência, que qualquer pessoa, seja ela fã ou não da saga, consegue reconhecer.

Assistir a Star Wars sem seus efeitos sonoros seria extremamente diferente e não teria a mesma emoção, como podemos ver no vídeo abaixo:

As cenas no vídeo são de um momento particularmente difícil para os heróis retratados, que devem lutar com seu inimigo. Apesar da seriedade da cena, ao assistí-la sem os efeitos sonoros, ela fica quase engraçada, ou no mínimo tosca.

2001: Uma Odisséia no Espaço

Ao contrário de Star Wars, que utiliza sons como explosões e tiros de laser no espaço, 2001: Uma Odisséia no Espaço é completamente fiel às leis da física, abstendo-se de sons no espaço, onde eles não se propagam.

O resultado é quase agoniante. Embora o diretor Stanley Kubrick tenha utilizado de músicas clássicas para as cenas em que não haveria som, ele pode ser classificado como não diegético, ou seja, os personagens da cena não escutam as músicas que nós ouvimos.

Durante todo o filme, a música quase sempre parte de fora, onde o espectador escuta mas não o personagem. Kubrick brilhantemente utiliza o som diegético – escutado pelo personagem – quando Frank ouve uma transmissão da BBC a bordo de sua astronave.

A música está presente o tempo todo no filme, mesmo quando sabemos que não existe som algum presente na cena, como em casos em que o astronauta flutua no espaço, onde o som é inexistente.

Na cena do vídeo, a música ambiente, ainda que clássica, consegue trazer ao espectador a sensação de expectativa e pavor. O som agudo do monólito faz parte dos efeitos sonoros, causando a quem o escuta uma angústia indescritível.

Berberian Sound Studio

Os efeitos sonoros no cinema de terror é frequentemente mal utilizado, sendo muitas vezes exagerado para causar antecipação no espectador e, mais tarde, dar a ele o famoso susto. Berberian Sound Studio é um terror diferente dos demais, pois não apresenta imagens assustadoras, mas apenas o som.

O filme de 2012 foi pouco divulgado no Brasil, o que é uma pena, visto que foi uma obra prima do diretor inglês Peter Strickland, que homenageia grandes obras italianas de terror dos anos 70, como O Inquilino e A Conversação.

Nesse filme Gilderoy, um renomado engenheiro de som, se dirige à Itália para trabalhar na finalização de um filme chamado “The Equestrian Vortex”. O filme que o protagonista deve editar é um terror com elementos sobrenaturais, como demônios, bruxas ou eventualmente um serial killer.

Apesar de em nenhum momento do filme podermos realmente ver o que Gilderoy vê nas imagens do filme que edita, os sons são tão agoniantes que o próprio Gilderoy começa a ser psicologicamente afetado pelos sons bizarros que deve produzir.

O clima de terror e claustrofobia provocados por essa obra prima dos efeitos sonoros no cinema são usados brilhantemente, já que não utilizam em nenhum momento imagens assustadoras.

É praticamente impossível não se agoniar ao escutar melancias sendo esmagadas, e sabermos que esse som representa o corpo de uma bruxa sendo esmagado. Ou o som torturante de um talo de rabanete sendo cortado para representar a tortura de um personagem do filme.

O som do silêncio

Um dos grandes efeitos sonoros no cinema nada mais é do que o silêncio. Afinal, um filme verdadeiramente artístico não deve ser apenas sobre tiros e explosões. Saber quando utilizar o silêncio faz parte de qualquer obra cinematográfica.

Martin Scorsese, diretor de grandes obras como Taxi Driver, Cassino e Os Infiltrados, é por muitos conhecido como o mestre do silêncio, devido ao uso dramático da ausência de som nas suas cenas.

Outro filme dirigido por ele, Touro Indomável, estrelado por Robert De Niro, é um grande exemplo do uso exemplar do silêncio por Scorsese. Ao ser atingido nas orelhas, sentimos o mesmo que o personagem boxeador ao experimentar a falta de som.

O vídeo demonstra o uso dos efeitos sonoros no cinema, mas também a ausência dele. Uma verdadeira obra de arte do cinema consegue equilibrar o uso dos sons, música e silêncio, podendo assim causar o efeito que quiser em quem o assiste.

E você, o que pensa do uso dos efeitos sonoros no cinema? Consegue pensar em outros nomes que utilizaram bem esses efeitos? Deixe um comentário aqui embaixo!

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