Motion Graphics: Entenda todo o seu carisma!

Nascido da união entre design gráfico e cinema, o motion graphic baseia-se principalmente no conceito de sobreposição de camadas e movimento.

É uma maneira eficiente de misturar texto, imagens, texturas e cores, com o propósito de garantir maior dinâmica e propriedade na hora de passar informação.

Ele é dinâmico e comporta uma grande quantidade de possibilidades gráficas e textuais a serem exploradas por meio da animação. Por isso, é um dos queridinhos quando se fala em vídeos para o meio digital… Deixa tudo mais estiloso e atual.

Obviamente, consolidou-se após a revolução digital, mas as ideias por trás da ilusão do movimento, animação e sobreposição de camadas começaram a ser exploradas bem antes.

Um pouco da história do Motion Graphics.

Se fosse para marcar um ponto de partida, o cineasta George Méliès, pai do cinema de ficção e dos efeitos especiais, pode ser considerado o precursor das experimentações que culminaram no Motion Graphics.

Ele foi o primeiro a utilizar do recurso de stop motion para fazer seus filmes lúdicos, que o consagraram como “alquimista da luz”, como disse Charles Chaplin.

Outro nome de destaque é Norman McLaren, pioneiro em diversas áreas do cinema e da animação, como a animação a partir do desenho à mão livre, filmes abstratos e, principalmente, o desenho sobre o rolo do filme, o qual utilizou para sincronizar com a música de maneira rítmica e abstrata.

Confira dois doas primeiros trabalhos do diretor:

Norman McLaren – Dots (1940)

Norman McLaren – Boogie Doodle

Designers gráficos da década de 50 foram chamados para trabalhar ao lado de grandes diretores, a fim de criar aberturas para os filmes, deixando a sua apresentação e créditos iniciais mais dinâmicos, vivos e lúdicos, gerando um grande impacto visual.

Reunimos alguns filmes que, além de se apresentarem de maneira brilhante, foram muito importantes e influentes para o desenvolvimento do motion graphics:

O Gabinete do Doutor Caligari (1919)

Direção: Robert Wiene
Designer: Katharine Hilliker (versão norte americana)

Voltemos no tempo para falar sobre o expressionismo alemão: um artista não creditado nos apresentou, junto a um dos primeiros filmes de terror da história, uma maneira completamente diferente de fazer tipografia e cinema.

Na época em que a sétima arte ainda nem falava e as fontes dos plates de texto e créditos buscavam um padrão formal, a deformação da forma, característica principal do movimento expressionista, pingou não apenas na abertura, mas no estilo que se mantinha ao longo de todos os momentos de fala.

Um Corpo que Cai (1958)

Direção: Alfred Hitchcock
Designer: Saul Bass

Seria impossível falar de créditos iniciais e design sem mencionar Saul Bass. O homem que revolucionou tudo em O Homem com Braço de Ouro (1955) e Anatomia de um Crime (1959) foi também responsável por trabalhos brilhantes nas obras do Mestre do Suspense, Alfred Hitchcock. Sendo um dos artistas mais influentes nos EUA pós-guerra, a obra de Bass mudou a maneira como enxergamos e entendemos o design gráfico.

O Satânico Dr. No (1962)

Direção: Terence Young
Designer: Maurice Binder

Falando em ícones, aqui temos a criação do próprio: a clássica abertura de Dr. No, primeira aventura de James Bond, estabeleceu o que viria a ser referência mundial quando se trata de espiões.

Não apenas para o gênero, a sequência de abertura é extremamente importante para a história do design (principalmente quando falamos de Motion Graphics) e minimalismo. Com apenas formas redondas e cores, é impressionante como o famoso designer Maurice Binder conseguiu transpor o tom sombrio e soturno dos filmes de espionagem.

A Hard Day’s Night (1964)

Direção: Richard Lester
Designer: Robert Freeman

O quão impactante deve ter sido assistir a um filme dos Beatles logo depois da estreia do quarteto e no ápice da “beatlemania”?

Talvez hoje em dia pareça muito mais simbólico do que influente, mas a mistura de dinamismo no Motion Graphics, um dos maiores hits da época, com a linguagem da sétima arte na abertura de um filme leve e divertido foi muito marcante e fundamental no estabelecimento da identidade da primeira fase dos Beatles como a banda que revolucionou os mais diversos meios de comunicação.

Trilogia do Homem Sem Nome (1964; 1965; 1966)

Direção: Sergio Leone
Designer: Iginio Lardani

A obra máxima do western spaghetti de Sergio Leone deve boa parte do seu sucesso à identidade visual criada para o gênero. As letras desgastadas e no estilo dos saloons, bares e hotéis do velho oeste definem logo de cara a ambientação como o mais importante personagem da história.

Ok… tem o Clint Eastwood no ápice da carreira, mas precisamos admitir: o Motion Graphics dos créditos iniciais são muito empolgantes e não é nada cansativo ouvir a trilha magistral de Ennio Morricone enquanto tiros e balas de canhão compõem uma narrativa visual do épico que está por vir. Destaque para o último filme da trilogia: The Good, The Bad and The Ugly (1966).

2 ou 3 Coisas Que Eu Sei Dela (1967)

Direção: Jean-Luc Godard
Designer: Jean-Luc Godard

Provavelmente não existiu outro diretor mais influente nos anos 60 do que Godard. Enquanto a indústria cinematográfica francesa martelava no “A”, Godard e os outros expoentes da Nouvelle Vague apresentaram todo o alfabeto.

Quando se trata dos créditos iniciais, não demorou para que ele lançasse Uma Mulher É Uma Mulher (1961), filme que revolucionou a apresentação dos filmes para sempre, servindo de influência para o Enter the Void, que mencionamos a seguir. Em O Desprezo (1963), ele continuou brincando com os créditos iniciais do filme, mas foi em 2 ou 3 Coisas Que Eu Sei Dela (1967) que o diretor francês transcendeu as cores, disposições, texto, imagens e temas tratados pelo filme.

Star Wars (1977)

Direção: George Lucas
Designer: Dan Perri

Dispensa comentários. Como contextualizar rapidamente sobre um universo que aconteceu há muito tempo em uma galáxia muito, muito distante e ainda criar a maior franquia da cultura pop?

Consiga a atenção do seu espectador e crie algo grandioso. Mas como? Coloca letras amarelas em perspectiva num fundo preto com uma música impactante e é isso.

Alien – O 8º Passageiro (1979)

Direção: Ridley Scott
Designer: Richard Greenberg

Ficção científica e terror nunca se misturaram tão bem quanto no primeiro Alien. Sua sequência de abertura dialoga muito com a mistura dessa união de gêneros: a lenta aparição da fonte acompanha o movimento que a câmera faz ao redor do planeta enquanto o nome se forma e revela qual o verdadeiro perigo do filme.

A lentidão da revelação da fonte nos créditos iniciais indica o perfeccionismo da direção de Scott, o design futurista (em relação à época) trazido pelo filme e qual seria o ritmo de todo o longa, simbolizando a importância do Motion Graphic como ferramenta de comunicação.

Prenda-me Se For Capaz (2002)

Direção: Steven Spielberg
Designer: Florence Daygas e Oliver Kuntzel

São poucas as aberturas tão milimetricamente planejadas como a de Prenda-me Se For Capaz. Entre mistério e nostalgia, é exemplar o estilo narrativo criado para a introdução da trama, dos personagens e da equipe envolvida.

As transições são suaves, os nomes se ligam, encaixam perfeitamente e as cores dizem muito mais do que aparentam. Cada linha importa, tornando a sequência um show à parte do longa em si.

Enter the Void (2009)

Direção: Gaspar Noé
Designer: Tom Kan; Thorsten Fleisch; Gaspar Noé

Gaspar Noé já é conhecido por ser uma pessoa de extremos. Sem entrar nas discussões e controvérsias de seus filmes, é impossível não reconhecer a qualidade dos créditos iniciais de Enter the Void.

A explosão tipográfica e luminosa logo no início do filme evidencia claramente suas intenções e o que ele se propõe, sem perder o mistério sobre até onde esse “void” pode te levar.

Além de nos deixar a par da quantidade de informações que recebemos diariamente, logo de início ele já nos dá 2 minutos intensos da experiência sensorial de duas horas e quarenta que o filme é.

Watchmen (2009)

Direção: Zack Snyder
Designer: Neil Huxley

Divisor de opiniões quando posto ao lado da obra-prima original, a adaptação cinematográfica de uma das mais conceituadas graphic novels de todos os tempos presenteou o mundo com sua sequência de abertura.

Ao apresentar o universo dos vigilantes se misturando com os fatos reais, mitos e momentos históricos, vale dizer que o diretor Zack Snyder minou qualquer necessidade de contextualizar o espectador com diálogos desnecessários, apenas fazendo o uso de um poderoso storytelling junto à técnica de Motion Graphics. Tudo ao som de “The Times They Are A Changin’”, do cantor Bob Dylan.

Com certeza esse manifesto pacifista é uma referência incrível quando se trata de ambientar, contextualizar e apresentar uma história.

Drive (2011)

Direção: Nicolas Winding Refn
Designer: Nicolas Winding Refn

Falando em design, como deixar um dos filmes mais estilosos do século de fora? O filme todo é permeado por uma fotografia de cair o queixo e sua intro não é diferente.

Dando o clima perfeito sobre a história do dublê/motorista de fuga vivido por Ryan Gosling, a música “Nightcall”, do artista Kavinsky, cai melhor do que uma luva para explorar o clima retrô-oitentista e iluminar a cidade com neon e fontes contrastantes às cores escuras da abertura.

E aí, gostou do que leu? Já conhecia os artistas por trás dos filmes que amamos? Quais outros filmes têm aquela sequência de abertura do c@#%*&$ que você colocaria na lista?

Não se esqueça que os créditos iniciais nesses filmes foram revolucionários por terem arriscado fazer algo criativo e com excelência, da mesma forma como a apresentação em vídeo de sua empresa deve ser. 🙂

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