Como usar bem os movimentos de câmera

Uma das maiores belezas do cinema é a capacidade de comunicar além da fala. Os movimentos de câmera podem contar a história tanto quanto o roteiro, se não mais.

As técnicas do cinema são capazes de revelar segredos escondidos, contar o final da história na primeira cena através de um movimento ou enquadramento, ou pode até mesmo causar impressões diferentes em cada pessoa que assiste.

Os movimentos de câmera são técnicas que vêm sendo usadas por diretores há anos. Conforme a tecnologia vai avançando, as técnicas de movimento também avançam.

O primeiro filme feito na história, L’Arrivée d’un train à La Ciotat, em 1895, não possuía movimentos de câmera. Ao contrário, a câmera ficava parada enquanto o trem se aproximava cada vez mais.

Conta-se que as pessoas que assistiram esse filme pela primeira vez chegaram a se abaixar em suas cadeiras, assustadas de que o trem as atingisse.

Apesar de esse tipo de as pessoas dificilmente se assustarem com algo desse tipo hoje em dia, os movimentos de câmera ainda tem a capacidade de causar diferentes emoções.

Uma câmera que se afasta de uma cena pode demonstrar que o que está ocorrendo é horrendo demais, é melhor desviar os olhos. Uma câmera que se aproxima, ao contrário, pode demonstrar que deve-se prestar mais atenção.

O plano fixo ou câmera estática

O plano fixo, também chamado de câmera estática, é basicamente a câmera parada, não indicando um movimento, mas sim a ausência dele. Foi usado no primeiro filme da história, mas não significa que é antiquado ou que deveria ser esquecido.

De fato, a câmera estática causa extremo suspense em Marnie – Confissões de uma Ladra, do diretor Hitchcock, ao mostrar dois cômodos ao mesmo tempo. Em um deles, Marnie rouba um banco. No outro, uma faxineira simplesmente limpa o mesmo banco.

Enquanto que nenhuma das personagens percebe uma à outra, o telespectador admira as duas cenas ao mesmo tempo, sem que haja um movimento de câmera sequer.

Outro filme que utilizou muito bem a técnica da câmera estática foi o britânico Shame, do diretor Steve McQueen, em 2011.

Panorâmica / Tilt

Esse é o movimento da câmera a partir de uma posição fixa, normalmente um tripé. A panorâmica, também chamada de “pan”, é o movimento de lado, da direita para a esquerda e vice-versa.

A pan é uma ótima técnica para filmar ambientes, como em uma formatura ou casamento, por exemplo.

Já o tilt é o movimento de cima a baixo e vice-versa, normalmente feito em velocidade lenta. É um movimento de câmera que os cinegrafistas do tapete vermelho adoram. Já algumas atrizes, como a Cate Blanchett, não gostam nem um pouco.

Travelling

Diferentemente da panorâmica e do tilt, o travelling se dá quando a câmera se desloca do eixo, quase como se viajasse, como o próprio nome diz, em inglês.

Na cena do filme O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel, do diretor Peter Jackson, a câmera acompanha a personagem enquanto ela escapa de seus inimigos em um cavalo.

>Dentro do travelling, podemos ter outros tipos de movimentos de câmera. São eles:

Câmera na mão

Ainda que a tecnologia tenha avançado e em muitas cenas não seja mais necessário carregar a câmera na mão, em outras é justamente a movimentação da câmera que causa o efeito desejado.

Ótimos exemplos são filmes de guerra, em que a câmera na mão simula o caminhar ou a corrida do personagem em questão.

Na abertura de Dunkirk, do diretor Christopher Nolan, a câmera na mão acompanha a corrida do soldado enquanto ele tenta escapar de seus inimigos.

Steadicam

A steadicam foi inventada por Garret Brown, em 1971, um aparelho que suaviza o tremor de quando filma-se com a câmera na mão. Filmes famosos por usarem esse movimento de câmera são O Iluminado e Rocky.

Nessa cena do filme Carlito’s Way, o diretor Brian De Palma utiliza a steadicam perfeitamente ao seguir o seu personagem em seu caminho.

Zoom

O zoom constitui-se não exatamente como um movimento de câmera, mas sim da sua lente para fazer um objeto parecer mais perto ou mais longe.

A partir de um ponto fixo da imagem, pode-se dar um zoom in, para aproximar, ou um zoom out, para afastar.

Django Livre, filme de Quentin Tarantino, utiliza muito bem a técnica do zoom.

Tarantino também utiliza muito o movimento do zoom em Kill Bill, aproximando para o olhar de Uma Thurman quando ela vê seus inimigos.

Dolly

O dolly não deve ser confundido com o zoom. Os dois movimentos de câmera são usados para aproximar ou afastar, porém o dolly não utiliza as lentes. Ele é a aproximação física do objeto.

Normalmente usa-se um pedestal para que se possa ter maior segurança e ele exige que sempre se ajuste o foco, já que a distância entre o objeto e a lente varia.

Na cena a seguir do filme Frenesi, de Hitchcock, a câmera acompanha os personagens para depois se afastar, como se não quisesse que víssemos o que acontecerá a seguir. Apesar de não vermos, a tensão criada pelo movimento de câmera conta perfeitamente bem o que acontece dentro do quarto onde os personagens entraram.

Utilizando o conhecimento dos movimentos de câmera

Nem todos os movimentos de câmera ficarão bons em um filme. É preciso entender que história se quer contar com as diferentes técnicas. Além do roteiro, enquadramento, ângulos, entre outros, os movimentos de câmera podem ser usados para conseguir reações diferentes do público.

E você, qual movimento de câmera mais gosta? Que filme acredita que utilizou muito bem alguma técnica em específico? Conte nos comentários! E não hesite caso tenha alguma dúvida ou sugestão.

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