O poder da edição na elaboração de histórias

O storytelling é a arte de contar histórias para diferentes objetivos. Em um filme, esse objetivo é, obviamente, encantar o telespectador e causar nele diferentes emoções. O poder da edição para alcançar essas emoções não deve ser subestimado, pois tem um importante papel na produção de um filme.

A edição tem o poder de transformar completamente um simples vídeo em uma arte cinematográfica. Com os cortes pode-se criar caos, suspense, terror, expectativa, entre outros.

Ainda que uma cena seja simples, metáforas visuais podem dar a elas significado. Se o filme é uma linguagem, a edição é a sua formatação. É ela que dita a velocidade da narrativa, organizando suas sequências.

A primeira edição de filme

Quando o cinema nasceu, com os irmãos Lumiére, os filmes eram retratados pelo que chamamos de fotografia documental, ou seja, sem interferir no conteúdo retratado. A câmera ficava normalmente parada, apenas registrando os acontecimentos.

A primeira edição de filmes foi dirigida pelo britânico Robert W. Paul, no filme Come Along Do! de 1898, três anos depois do primeiro filme feito na história. Desde então o poder da edição estava se revelando, por ser perceptível o quanto ajudava no storytelling.

Na cena do filme, um casal está parado na frente de uma galeria. A câmera não se move enquanto o casal caminha, porém há um corte para mostrar uma fotografia dos dois dentro do local.

Esse corte, hoje simples, foi uma revelação na época, demonstrando que o poder da edição constava em criar uma sequência narrativa que era difícil de alcançar sem cortes.

Grandes edições do cinema

Muitos filmes se destacaram na história do cinema com suas edições. Algumas são tão clássicas que praticamente são a cara do filme. Desde a década de 1930 o Oscar tem uma categoria direcionada só para a edição, onde grandes nomes competem pela estatueta de ouro.

Veja a seguir algumas das grandes edições do cinema.

Whiplash

Nesse filme, o jovem músico Andrew Neiman sonha em se tornar o melhor baterista de Jazz da sua geração. Para isso, é treinado por um rígido professor de música que acaba ultrapassando os limites, fazendo com que Andrew fique obcecado com a perfeição.

Essa obra magnífica foi dirigida por Damien Chazelle e montado por Tom Cross, o responsável por levar o filme a ganhar o Oscar de melhor montagem.

Psicose

Esse clássico de Hitchcock conta a história de Norman Bates, um tímido rapaz que mora com a mãe e recebe Marion Crane em seu hotel, uma secretária que rouba 40 mil dólares da imobiliária em que trabalha.

Em uma das cenas mais icônicas da história do cinema, a mãe de Norman se aproxima de Marion enquanto toma banho e a mata à facadas.

Cidade de Deus

Dois rapazes moradores das favelas do Rio de Janeiro seguem caminhos diferentes. Um deles é um fotógrafo que registra o ambiente violento do lugar enquanto outro se aproveita das fotos do primeiro para provar o quanto é durão.

Daniel Rezende, o líder da montagem do filme, foi indicado ao Oscar de Melhor Edição em 2004, mas acabou perdendo para O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei.

La La Land

O pianista Sebastian e a atriz Mia se apaixonam perdidamente. Ambos procuram oportunidades para suas carreiras em Los Angeles enquanto tentam fazer seu relacionamento amoroso dar certo.

Esse musical do mesmo diretor e editor de Whiplash foi indicado ao Oscar de Melhor Edição em 2016, mas perdeu para Até o Último Homem.

O poder da edição

Está nas mãos dos diretores de edição e montagem o poder da narrativa. São eles que decidem o que o telespectador verá.

Quando se trata do storytelling, é fundamental lembrar que uma história precisa ser engajadora. Precisa se conectar emocionalmente com quem a assiste.

Um exemplo disso são as adaptações de livros para o cinema. A história já é engajadora em suas palavras, mas é a construção das cenas que fará com que tenha o mesmo efeito no filme.

Os próprios trailers dos filmes são grandes obras da edição e dão a sinopse de seus filmes buscando causar um grande impacto de antecipação nos seus telespectadores.

O poder da edição está no tom que um filme tem. A atuação, direção e roteiro tem um grande papel. Mas é a edição que tem o trabalho mais grandioso de todos: juntar cada parte para criar uma obra de arte.

E você, quais filmes acha que tem uma ótima edição? Conseguiu entender o poder da edição no storytelling? Não esqueça de deixar um comentário aqui embaixo com sua opinião ou sugestão!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *